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Um Certo Conto

Esta história é muito importante para qualquer ser que queira evoluir. Um homem, vamos chamá-lo de Manoel, um dia andando pelo campo, chegou à margem de um rio. Embora não fosse fundo, era largo. Ao olhar para o lado viu um senhor idoso e tudo indicava que queria transpor o rio. Manoel aproximou-se e perguntou: – Precisa de ajuda, senhor? – Bom jovem, queria atravessar este rio, porém estou doente e não posso me molhar. – Sou forte, se o senhor quiser posso carregá-lo até o outro lado. O senhor aceitou sorrindo e Manoel o colocou nos ombros e o levou ao outro lado. – Obrigado, meu caro – agradeceu o velho. —Você acaba de ser testado por mim, um gênio, o senhor do destino dos homens. Manoel se assustou ao ver aquele homem se transformar e teve diante de si um homem bem-vestido, alto e forte. – Manoel, não se assuste por ter me prestado um favor, lhe farei outro. Levarei você até a gruta onde está o livro do destino. Vou deixá-lo lá por três minutos e poderá escrever nele o que quiser. Manoel foi guiado pelo gênio rapidamente até a gruta. Foi tão rápido que não deu tempo de ele saber onde ficava tão famoso lugar. – Aqui está o livro, uma caneta e lembre-se, tem três minutos! – Disse o gênio e retirou-se, deixando Manoel sozinho. Manoel abriu o enorme livro e logo achou a página em que estava escrito seu nome. Mas pensou: tenho uma ótima oportunidade de me vingar dos meus inimigos. Eram três seus desafetos. Rápido, procurou o nome do primeiro, achou a página dele e escreveu: vai ficar cego. Procurou o segundo e, achando, anotou: vai ficar na miséria. E assim fez com o terceiro, e determinou: vai morrer só e abandonado. Quando ia procurar seu nome novamente, surgiu o gênio e disse-lhe: – Seu tempo acabou! E Manoel se viu transportado como um raio para a margem do rio. Sabem o que aconteceu com Manoel dessa singular história? Foi abandonado pela esposa e filhos, ficou só, na miséria e cego. Pior ainda, lastimando-se, porque se ele não tivesse perdido tempo com seus inimigos, certamente teria uma vida diferente. Certamente que o livro do destino não existe como é narrado nesse conto, mas existe o que fazemos as nossas ações. Tantos como Manoel passam a existência preocupados com os desafetos, esquecem de fazer algo de bom para si e, pior, continuam após a desencarnação a se preocupar com aqueles que julgam ser seus inimigos. Se esquecermos os desafetos e nada fizermos para prejudicá-los, não teremos do que nos lastimar, como Manoel, que poderia ter prestado mais atenção nos afetos e não seria abandonado, ter se dedicado mais ao trabalho e não acabaria na miséria, vibrar melhor no amor e não teria adoecido. O tempo passa e não tem retorno.