SALVE, FILHOS!
Principiava a última década do século XVIII,nas terras longínquas do continente africano.Numa aldeia humilde, um casal recebia em seus braços mais um rebento, era, eu , João, que reencarnava para mais uma luta evolutiva no orbe terrestre, como mais novo membro da família. A vida transcorria tranqüila e feliz. Um dia fomos cercados por homens estranhos que nos amarraram e nos arrastaram até seus navios. Eu, meus pais e mais dezessete irmãos meus fomos jogados em porões escuros e fétidos. Na verdade, fomos raptados de nossos lares.A viagem começou. O navio balançava muito, a comida era escassa e não havia nenhuma higiene nos porões.Muitos adoeceram e morreram.Outros emagreceram muito até chegarem ao destino. Os navios aportaram na cidade do Rio de Janeiro após dois meses de viagem pelo mar.Todos foram retirados dos porões, levados e expostos em uma praça, para a venda.Nessa época , eu, João, tinha mais ou menos três anos de idade. Fui apartado de meus pais e irmãos e vendido com um outro grupo de negros para um fazendeiro rico e cruel. Eles não respeitavam e nem mantinham juntos os pais e sua prole. Assim fomos colocados em gaiolas e transportados até a fazenda.Nunca mais soube nada de minha família.Perderam-se no tempo para mim.Nesse tempo eu tinha pouca noção do que realmente acontecia. O medo era tão grande que eu só chorava e chamava por minha mãe.Fui entregue às negras mais velhas da senzala para ser criado.O único amor e carinho que recebi na infância foi delas. Cresci, aos seis anos já trabalhava, carregava lenha e água para a casa grande, colhia verduras na horta, apanhava frutas no pomar. Auxiliava as negras nos afazeres domésticos.Presenciava o sofrimento de meus irmãos de cor e sentia uma saudade imensa que não sabia explicar. Meu povo era açoitado, alguns ficavam presos no tronco, outros morriam.Este era o cenário diário no terreiro da senzala da fazenda. À noite, todos se reuniam à frente da senzala ao redor de uma fogueira, a lua e as estrelas testemunhavam e acompanhavam a conversa, as rezas, os cantos e as danças dos negros. Tristes melodias acalentavam o sono e os sonhos desse povo sofredor. Era o modo de perpetuar a cultura e a tradição de nossa terra. Mesmo após se recolherem à senzala para o descanso merecido, ecoava nos longínquos cantos da fazenda a cantiga que era acompanhada pelos atabaques:
“ Oxalá, Meu Pai!
Tem pena de nós, tem dó.
As voltas do mundo é grande
Vosso amor ainda é maior.”
Os brancos não entendiam esse ritual africano. O maior preconceito era a cor , eles entendiam essa cor como inferioridade. Aos 15 anos, eu era um jovem forte e trabalhador. Fui vendido com mais três negros para uma fazenda em Minas Gerais.Mais uma vez fui apartado do meu povo.Tive de encarar a dura realidade que se apresentava diante de mim: saudade e sofrimento. Mas a vida tinha de continuar. Cheguei à nova fazenda. Conheci novos irmãos de cor. Ambientei-me ao local e conheci toda a fazenda. Um dia olhei para uma menina negra e meus olhos brilharam de felicidade, era Durvalina, apaixonamo-nos.Vivemos bons tempos juntos , apesar de trabalhar muito. Os filhos foram chegando: Sebastião ( Bastião), Tibúrcio ( Búrcio), Inocêncio (Nocêncio), Gregório (Gório), Porfírio (Fírio), Jerônimo (Rônimo), Benedita ( Dita), Francisca ( Chica), eles eram a nossa bênção. Cada um deles foi arrancado de nossos braços quando atingiam a idade de 7 anos e vendidos para outras fazendas. Nunca mais eu soube nada de meus filhos, sumiram no mundo.Após levarem o nosso caçula Jerônimo, o desespero foi muito grande.Foi o fim de nossa família.Durvalina me traiu com outro negro, abandonou-me, foi embora da fazenda, viver com seu novo amor .Sofri em dose dupla, a perda de meus filhos e a de minha mulher. Apesar da dor e do sofrimento, não desisti.Vivi sozinho sem amor, passei a viver para o próximo.Aprendi com os negros mais velhos as rezas, benzimentos,entrar em contato com os espíritos, fazer chás e banhos que aliviavam a dor dos meus semelhantes.Tive muita tristeza na vida, fui jogado de um lado para o outro, mas nunca perdi a fé e a esperança em Deus. Aos 50 anos, fui vendido de novo para outra fazenda, eu ainda era forte e podia trabalhar.Aos 70 anos, tive sorte.Fui chamado pelo meu Sinhô, dono da fazenda, pois minha fama de curar as pessoas, fazer remédios e benzimentos corria de boca em boca pela região. Todos os pobres: brancos ou negros acorriam a mim para aliviar dores e sofrimentos.Meu Sinhô levou-me à presença de um menino de mais ou menos dez a doze anos.Este menino chamava-se Antônio, seu corpo, rosto e couro cabeludo era uma ferida só, que exalava um odor forte. O menino tinha sido desenganado pelos médicos , só restava esperar a morte, era o que eles diziam. Para o fazendeiro, eu, João era a última esperança.Não prometi nada. Consultei o mundo espiritual, preparei remédios e comecei o meu trabalho.Dava banhos de ervas no menino, ele tomava chás, fazia benzimentos, passava pomadas, este era o meu ritual diário à cabeceira da cama de Antônio. Após meses neste desvelo todo , ele passou a melhorar. Antônio se recuperava dia a dia até cair a última crosta de ferida do corpo.Sinhozinho ficou bom, curado, graças aos bons espíritos. Esta foi a grande sorte da minha vida ,Pai João de Aruanda, assim eu era chamado pelos meus irmãos de cor. Recebi a gratidão da família de meu patrão.Ganhei uma cabana no meio da mata para morar, plantar minha lavoura e criar alguns animais e aves.Pois com 70 anos eu não tinha mais o vigor e a força de outros tempos.Continuei a ajudar as pessoas que vinham a mim em busca de socorro físico e espiritual para seus males, sempre escorado em minha bengala, tirada de um galho de uma árvore pois as minhas pernas fraquejavam mas a labuta do dia-a-dia continuava. Vivi até saber que uma princesa acabou com a escravidão negra no país. Era 13 de maio de 1888.Após este acontecimento vivi mais três anos. Deixei meu corpo físico na terra aos 98 anos e segui viagem à pátria espiritual.Estou na espiritualidade a mais ou menos 120 anos.Depois de longo tempo de aprendizado, foi-me permitido entrar em contato com meus irmãos encarnados e auxiliá-los com meu conhecimento. Assim, eu continuo o meu caminho evolutivo, distribuo amor e ensinamentos aos que me procuram para aliviar as aflições que cruzam as suas vidas. Tudo pela bondade de Deus, Meu Pai! “Oxalá,Meu Pai!
Tem pena de nós, tem dó.
As voltas do mundo é grande
Vosso amor ainda é maior.
Pai João de Aruanda
UM COPO DE LEITE
Um dia, um rapaz pobre que vendia mercadorias de porta em porta para pagar seus estudos, viu que só lhe restava uma simples moeda de dez centavos. A fome doía em seu estômago. Decidiu que pediria comida na próxima casa em que batesse à porta.Porém, quando uma encantadora mulher jovem abriu a porta, a vergonha o traiu. Em vez de comida, ele só teve coragem de pedir um copo de água. A jovem descobriu nele um rapaz faminto e, em vez de água, deu-lhe um grande copo de leite. Ele bebeu devagar, Depois, receoso, perguntou: – Quanto lhe devo? – Não me deve nada, respondeu ela – Minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa. Ele disse: – Pois eu agradeço de todo coração. Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente, mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais forte. Antes, ele estava resignado a se render e deixar tudo.Agora, estava disposto a prosseguir na luta até a conquista do que idealizara para a sua vida. Anos depois, essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos locais estavam confusos quanto ao correto diagnóstico e ao seu adequado tratamento.Finalmente, enviaram-na à cidade grande, onde chamaram um especialista para analisar sua rara enfermidade.O especialista não era outro senão o Dr. Howard Kelly. Quando lhe apresentaram a ficha da enferma e ele soube do nome do povoado de onde ela viera, uma estranha luz encheu os seus olhos.Imediatamente, vestido com seu avental de doutor, foi ver a paciente. Reconheceu imediatamente a mulher.Dedicou-se a fazer o melhor para salvar aquela vida. Passou a dedicar especial atenção para aquela paciente. Depois de uma demorada luta pela vida da doente, ele venceu a batalha.Quando ela se preparava para ter alta, o Dr. Howard Kelly pediu para a administração do hospital que lhe deixasse ver a fatura total dos gastos, a fim de que a pudesse aprovar. Ele a conferiu, item por item, depois escreveu algumas palavras e mandou entregá-la no quarto da paciente. Ela tinha medo de abrir a fatura, porque sabia que levaria o resto de sua vida para pagar todos os gastos.No entanto, quando se decidiu a abrir o envelope, algo lhe chamou a atenção. Em caligrafia caprichada ,mas firme, havia uma anotação: “Pago totalmente, faz muitos anos, com um copo de leite. Assinado: Dr, Howard Kelly.” Lágrimas de intensa alegria correram dos olhos daquela mulher, que se lembrou de rezar nos seguintes termos: “Graças, Meu Deus, porque Seu amor se manifestou nas mãos e nos corações humanos. ( Autor Desconhecido)
O AMOR É ETERNO
Aquela senhora estava com muita pressa.Entrou em um shopping center para comprar alguns presentes de última hora para o Natal. Havia muita gente ao redor e ela ficou incomodada com a situação.Pensou consigo mesma – ficarei aqui uma eternidade e, tenho tantas coisas a fazer. Um tanto triste, ela pensava em como o Natal estava se transformando em um grande comércio. Andou rápido por entre as pessoas e entrou numa loja de brinquedos.Mais uma vez se surpreendeu reclamando dos preços.Perguntava-se a si mesma se seus netos realmente brincariam com aquilo. Partiu para a seção de bonecas.Em um dos corredores encontrou um menino, de aproximadamente cinco anos, segurando uma boneca bem cara.Estava tocando seus cabelos e a segurava com muito carinho.A senhora não pôde se conter e ficou olhando a cena fixamente,perguntando-se para quem seria aquela boneca. Em seguida, aproximou-se do menino uma mulher a quem ele perguntou – não tenho dinheiro suficiente, tia? E a mulher lhe falou impaciente: – você já sabe que não tem o dinheiro suficiente para comprá-la. Depois disse ao menino que permanecesse onde estava enquanto ela procurava outras coisas que lhe faltavam e o menino continuou ali, segurando a boneca com muito carinho. Apo algum tempo, a senhora se aproximou e perguntou-lhe para quem era a boneca e ele respondeu: – esta é a boneca que minha irmãzinha queria muito ganhar, no Natal. Ela estava certa de que ganharia neste Natal, disse o garoto com certa tristeza. A senhora se compadeceu e disse ao menino que, no Natal, levaria a boneca para sua irmãzinha, mas ele falou: – não, a senhora não pode ir onde minha irmãzinha está. Eu tenho de entregá-la a minha mãe para que ela leve até a minha irmãzinha. E a mulher perguntou: – E onde está sua irmã? O menino, com um olhar de tristeza, disse: – Ela se foi com Jesus. Meu pai me disse que a mamãe irá encontrar-se com ela em breve. A mulher sentiu um grande aperto no coração. E o menino continuou: – Pedi ao papai para falar com mamãe para que ela não se vá ainda. – Disse – lhe para pedir a ela que espere até que eu volte do shopping. Em seguido o garoto tirou do bolso algumas fotografias que tinham sido tiradas em frente ao shopping e falou: – Vou pedir ao papai que leve estas fotos para minha mãe, para que ela nunca esqueça de mim.Gosto muito de minha mãe, não queria que ela partisse.Mas o papai disse que ela tem de ir encontrar a minha irmãzinha. Enquanto o pequeno olhava a foto, a senhora tirou da carteira algumas notas e pediu a ele que contasse o dinheiro novamente . Ele contou outra vez e, disse satisfeito: – Estou certo de que será o suficiente. Agora posso comprar a boneca. E disse: – Eu acabei de pedir a Jesus para que me desse dinheiro suficiente para comprar esta boneca para a mamãe levar até a minha irmãzinha e, Ele ouviu a minha oração. Eu pedi, ainda, para que o dinheiro fosse suficiente para comprar também uma rosa branca para minha mãe, e Ele acaba de me dar o bastante para a boneca e para a rosa. – Sabe, minha mãe gosta muito de rosas brancas … Em alguns minutos a tia do garoto voltou e a senhora se foi. Enquanto terminava suas compras, agora com uma disposição diferente, ela não conseguia deixar de pensar naquele menino.Lembrou-se de uma história que havia lido num jornal, dias antes, a respeito de um acidente causado por um condutor alcoolizado, no qual uma menininha falecera e a mãe ficara em estado grave. Deu-se conta de que aquele menino pertencia àquela família. Dois dias depois, ela leu no jornal a notícia de que a mulher acidentada havia morrido. Não conseguia tirar o menino da mente… Comprou um buquê de rosas brancas e as levou ao velório… Lá estava o corpo de uma mulher… Com uma rosa branca numa das mãos, uma linda boneca na outra, e a foto de seu filho em frente ao shopping. Grossas lágrimas rolaram do rosto daquela senhora ao perceber a grandeza do amor daquele menino pela mãe e pela irmã… Um amor que a morte não conseguiu apagar… Um amor que vai além da existência física… O verdadeiro amor que Jesus. O Aniversariante tão esquecido, veio ensinar à humanidade. ( Autor Ignorado )